quinta-feira, 20 de maio de 2010

Liberdade

Não há liberdade; nem guerra para se lutar. Sem heróis aqui. Liberdade, na noite, é um cigarro mal fumado e um gole de uísque bêbado. Escuridão. Sem olhos e sem julgamentos, da primeira tragada o último gole e obliteram-se os lamentos. Não há — não entendam, parem este segundo, fechem os olhos e deixem a sensação apoderar-se de vocês (como se vocês tivessem controle dela, seus cornos) — martírio nem glória na redenção que não se vê ou no cigarro que não se fuma.

Do último gole bêbado, o álcool que pulsa nas veias e a droga ligeira que a alma aspira. Tantos encantos nessa noite, ninguém me vê. A Deus, já não vale a pena me julgar. Um gole sofrido, corredio, queima a garganta e desliza pela alma. Se há um sorriso, tenha certeza: são só dentes. A alma está absorta em bebida barata, envenenada. Está ali o corpo, roto. Evidentemente bêbado, mas não dispensa uma boa briga.

Ei-lo depravado e corrompido. Tal é o prazer da noite funérea; destruição total da máquina divina. É minha vingança por Deus não descer para a luta. Arruíno sua criação. Solitário, não há erros, pois não há olhos. Não há metáforas: a ardência é ardência e o sofrimento, o sofrimento. Um gole solitário é um gole de verdade. Os outros são cerimoniais que levam à chupação de paus. Inevitavelmente.

O sexo mais apaixonado não é o da corroboração do afeto. É o pornô na madrugada.

terça-feira, 4 de maio de 2010

"Love Status Quo"

E mais uma vez ela retornou, pela mesma porta gasta que tantas vezes a vira partir para sempre. Num silêncio fúnebre, digno das mortalhas e das vergonhas mais ignóbeis que existem, ela caminhava até minha direção, num cortejo deplorável de suas últimas imoralidades.

Rangi os dentes, fechei a tez numa carranca óbvia de uma cólera visceral e deixei que o sangue borbulhasse sob minhas têmporas. Ao vê-la, debruçando-se aos meus joelhos e derramando as lágrimas ardidas e resignadas dos infiéis, cheguei ao limite de meu martírio. Cansei da condição cretina de amar aquela cadela.

Dei dessa vez, a mim mesmo, o veredicto: ou a matava cruelmente, ou então daria cabo a minha própria vida. Entrei num estado autômato, travando uma batalha árdua entre minha lucidez e meu desespero. Estava a ponto de engalfinhar seu pescoço, quando a vadia balbuciou um pedido de perdão num último resfôlego de lamuria. Parei, tentando não cessar minha fúria, mas já estava me corrompendo novamente aos seus encantos deslavados. Não consegui dizer nada, e entre lágrimas e fraquezas, nos beijamos com a volúpia e intensidade dos condenados à morte.

Uma hora depois, nossos corpos nus e cansados, de tanto amar, odiar e sofrer, figuravam mais uma cena lamentável de nossa desgraçada relação. Enquanto ela adormecia sobre meu peito, como um anjo caído, não tive coragem de sorrir aliviado. Atormentado, chegava mais uma vez à conclusão, de que quem não prestava ali, era eu.

E lá se foi mais um cigarro, mais uma noite e a certeza incomoda do amor sôfrego e contínuo. Ainda restava eu e ela, na inércia da vontade de despertar.

Noite

Este belo ente importado dos recônditos celestiais possui um acabamento em veludo negro com finas esmeraldas refulgentes que acentuam as luzes interiores do ser. No quarto, quando separado da luz, revela um ambiente intimista, ideal para reflexões. Em conjunto com luzes baixas na sala de estar, trama um clima romântico e sensual, combinando muito bem com sofás, poltronas macias e pouco ruidosas e música R&B ou jazz bebop. Para ocasiões festivas, o tecido macio e opaco condensa o campo de visão e suscita a sensação de proximidade entre os convidados. Seu traço mais marcante, porém, é a flexibilidade com que se adapta a qualquer ambiente. 

R$5500,00