E mais uma vez ela retornou, pela mesma porta gasta que tantas vezes a vira partir para sempre. Num silêncio fúnebre, digno das mortalhas e das vergonhas mais ignóbeis que existem, ela caminhava até minha direção, num cortejo deplorável de suas últimas imoralidades.
Rangi os dentes, fechei a tez numa carranca óbvia de uma cólera visceral e deixei que o sangue borbulhasse sob minhas têmporas. Ao vê-la, debruçando-se aos meus joelhos e derramando as lágrimas ardidas e resignadas dos infiéis, cheguei ao limite de meu martírio. Cansei da condição cretina de amar aquela cadela.
Dei dessa vez, a mim mesmo, o veredicto: ou a matava cruelmente, ou então daria cabo a minha própria vida. Entrei num estado autômato, travando uma batalha árdua entre minha lucidez e meu desespero. Estava a ponto de engalfinhar seu pescoço, quando a vadia balbuciou um pedido de perdão num último resfôlego de lamuria. Parei, tentando não cessar minha fúria, mas já estava me corrompendo novamente aos seus encantos deslavados. Não consegui dizer nada, e entre lágrimas e fraquezas, nos beijamos com a volúpia e intensidade dos condenados à morte.
Uma hora depois, nossos corpos nus e cansados, de tanto amar, odiar e sofrer, figuravam mais uma cena lamentável de nossa desgraçada relação. Enquanto ela adormecia sobre meu peito, como um anjo caído, não tive coragem de sorrir aliviado. Atormentado, chegava mais uma vez à conclusão, de que quem não prestava ali, era eu.
E lá se foi mais um cigarro, mais uma noite e a certeza incomoda do amor sôfrego e contínuo. Ainda restava eu e ela, na inércia da vontade de despertar.
Rangi os dentes, fechei a tez numa carranca óbvia de uma cólera visceral e deixei que o sangue borbulhasse sob minhas têmporas. Ao vê-la, debruçando-se aos meus joelhos e derramando as lágrimas ardidas e resignadas dos infiéis, cheguei ao limite de meu martírio. Cansei da condição cretina de amar aquela cadela.
Dei dessa vez, a mim mesmo, o veredicto: ou a matava cruelmente, ou então daria cabo a minha própria vida. Entrei num estado autômato, travando uma batalha árdua entre minha lucidez e meu desespero. Estava a ponto de engalfinhar seu pescoço, quando a vadia balbuciou um pedido de perdão num último resfôlego de lamuria. Parei, tentando não cessar minha fúria, mas já estava me corrompendo novamente aos seus encantos deslavados. Não consegui dizer nada, e entre lágrimas e fraquezas, nos beijamos com a volúpia e intensidade dos condenados à morte.
Uma hora depois, nossos corpos nus e cansados, de tanto amar, odiar e sofrer, figuravam mais uma cena lamentável de nossa desgraçada relação. Enquanto ela adormecia sobre meu peito, como um anjo caído, não tive coragem de sorrir aliviado. Atormentado, chegava mais uma vez à conclusão, de que quem não prestava ali, era eu.
E lá se foi mais um cigarro, mais uma noite e a certeza incomoda do amor sôfrego e contínuo. Ainda restava eu e ela, na inércia da vontade de despertar.
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