Escrever é não ter nada.
Escrever recompensa pouco, ou melhor: aos poucos. A confecção laboriosa das minudências não mais nos intima; não no que essa palavra se resguarda em nosso íntimo, ao menos. Reduzido à histeria do apelo, parece-me que o ofício da escrita tem-se ocupado, cada vez, mais de produzir frases e pensamentos potentes, imagens vicejantes e encantos fulminantes.
A intimação que me interessa, no entanto - e não posso considerá-la como a intimação verdadeira - é antes aquele retorno sereno e contemplativo ao íntimo; a literatura como processo, aquela que eu conheço, é, antes da produção de qualquer coisa, o seu oposto: a sedução. E não falo daquela da conexão e dos traquejos lúbricos, mas a do fazer advir de modo velado, trazendo sempre por baixo do movimento.
Quem escreve, em aparência, não tem nada; a literatura, sempre em contrapartida, é a suspensão mantenedora desse nada - não aquele de um vazio perpétuo, mas o da dissuasão velada da explosão, o nada da ironia fina que, ao que menos se espera, subtrai o segredo demoradamente erigido ao longo de páginas e páginas como um truque de mágica , abandonando o leitor, embora ainda segredado, à trama do impossível.
Escrever desespera de súbito, subtraindo sempre a propriedade da atenção em sua irrupção velada.
sexta-feira, 10 de maio de 2013
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2014 foi abandonado ? nada a declarar assim como todos os projetos que tu fazes parte ? que tipo de escritor és ? aquele que se esconde no meio de confusas palavras que escreves ou na obscuridade de alguém que não consegue se desgrudar da tomada ? quem és tu, man ?
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